O Sacramento da Ordem é um dos sete Sacramentos da Igreja Católica. Por meio dele, a missão confiada por Jesus Cristo aos Apóstolos continua sendo exercida na Igreja através dos bispos, padres e diáconos.
Embora convivamos com esses ministros nas paróquias e dioceses, nem sempre sabemos exatamente qual é a diferença entre eles. Um diácono pode celebrar Missa? Todo bispo é padre? Por que somente o bispo pode ordenar? O que acontece quando um homem recebe a ordenação?
Também é importante compreender que o Sacramento da Ordem não transforma alguém simplesmente em funcionário ou administrador de uma instituição religiosa. Trata-se de um Sacramento a serviço da Igreja e do povo de Deus.
Neste artigo, vamos entender o que é o Sacramento da Ordem, seus fundamentos bíblicos, seus três graus e a missão específica do bispo, do padre e do diácono.
O que é o Sacramento da Ordem?
O Catecismo da Igreja Católica ensina que:
“A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos.”
Catecismo da Igreja Católica, 1536
Por meio da ordenação sacramental, determinados homens são constituídos ministros sagrados para servir ao povo de Deus segundo a missão própria de cada grau.
O Sacramento possui três graus:
Episcopado — bispos
Presbiterado — padres ou presbíteros
Diaconato — diáconos
Esses graus possuem funções diferentes, mas estão relacionados entre si dentro da estrutura sacramental da Igreja.
Portanto, bispo, padre e diácono não são apenas três cargos administrativos diferentes.
Qual é a origem do Sacramento da Ordem?
Para compreender a Ordem, precisamos voltar ao próprio ministério de Jesus.
Durante sua vida pública, Cristo chamou discípulos e, entre eles, escolheu os Doze Apóstolos para uma missão particular.
O Evangelho relata:
“Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. Então constituiu Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar.”
Marcos 3,13-14
A missão dos Apóstolos não terminou simplesmente quando eles morreram.
Desde os primeiros tempos da Igreja encontramos a transmissão de responsabilidades ministeriais através da imposição das mãos.
São Paulo escreve a Timóteo:
“Não descuides o dom espiritual que está em ti, que te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério.”
1 Timóteo 4,14
Essa continuidade nos ajuda a compreender outro conceito fundamental da fé católica: a sucessão apostólica.
O que é sucessão apostólica?
A sucessão apostólica significa que a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua na Igreja através de seus sucessores, particularmente os bispos.
Não significa que cada bispo substitua individualmente um determinado Apóstolo como se ocupasse seu lugar pessoal.
Estamos falando de uma continuidade sacramental e apostólica do ministério episcopal.
O Catecismo explica que os bispos, através da sucessão apostólica, recebem o dom espiritual transmitido desde os Apóstolos (cf. CIC 1555-1556).
Isso ajuda a entender por que a Igreja Católica dá tanta importância à ordenação episcopal e à comunhão dos bispos com o Papa e entre si.
A fé cristã não nasceu conosco.
Nós a recebemos.
E existe uma continuidade histórica de transmissão da missão apostólica dentro da Igreja.
Quais são os três graus do Sacramento da Ordem?
O Sacramento da Ordem possui três graus:
Episcopado
Presbiterado
Diaconato
O Catecismo esclarece que os dois primeiros — episcopado e presbiterado — participam ministerialmente do sacerdócio de Cristo, enquanto o diaconato é ordenado para o serviço (cf. CIC 1554).
Vamos entender cada um.
O que é um bispo?
O bispo recebe a plenitude do Sacramento da Ordem.
Ele é sucessor dos Apóstolos e possui uma responsabilidade particular de ensinar, santificar e governar a porção do povo de Deus que lhe foi confiada, normalmente uma diocese.
É importante perceber algo:
todo bispo validamente ordenado já passou pelo presbiterado, mas nem todo padre se torna bispo.
O bispo pode celebrar os Sacramentos próprios do ministério sacerdotal e possui responsabilidades que pertencem particularmente ao episcopado.
Entre elas está a ordenação de novos bispos, padres e diáconos, segundo as normas da Igreja.
Na Igreja Latina, o bispo também é o ministro ordinário da Confirmação, embora sacerdotes possam administrá-la nas circunstâncias previstas.
O que é um padre?
O padre, chamado também de presbítero, recebe o segundo grau do Sacramento da Ordem.
Os presbíteros são colaboradores dos bispos no exercício do ministério pastoral.
É o padre que encontramos normalmente conduzindo a vida sacramental de uma paróquia.
Entre suas principais funções estão:
celebrar a Santa Missa;
administrar o Sacramento da Reconciliação;
ungir os enfermos;
pregar a Palavra de Deus;
acompanhar espiritualmente os fiéis;
administrar outros Sacramentos segundo a disciplina da Igreja.
O sacerdote não exerce seu ministério de maneira independente.
Ele está ligado ao bispo e ao presbitério da Igreja particular na qual serve.
Sua missão deve sempre apontar para Cristo, e não para si mesmo.
O que significa o padre agir in persona Christi Capitis?
Essa expressão latina significa “na pessoa de Cristo Cabeça”.
O Catecismo ensina que, no serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja como Cabeça de seu Corpo, Pastor de seu rebanho e mestre da verdade (cf. CIC 1548).
Isso aparece de maneira particularmente clara na celebração dos Sacramentos.
Quando o sacerdote pronuncia as palavras da Consagração:
“Isto é o meu Corpo…”
ele não está simplesmente representando Jesus em uma encenação.
Cristo age sacramentalmente através do ministério daquele sacerdote.
Isso não significa que o padre seja perfeito ou que todas as suas opiniões pessoais representem automaticamente Cristo.
A eficácia dos Sacramentos não depende da santidade pessoal do ministro.
O que somente um sacerdote pode fazer?
Existem funções sacramentais reservadas aos que receberam o sacerdócio ministerial.
Somente bispos e padres podem validamente celebrar a Eucaristia.
Também são ministros do Sacramento da Penitência, observadas as faculdades exigidas pela Igreja, e da Unção dos Enfermos.
Isso significa, por exemplo, que um diácono não pode:
celebrar a Missa;
consagrar a Eucaristia;
ouvir Confissões e conceder absolvição sacramental;
administrar a Unção dos Enfermos.
Isso não diminui a importância do diaconato.
O diácono possui uma missão própria.
O que é um diácono?
O diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem.
A palavra está relacionada ao serviço.
O Catecismo ensina que os diáconos recebem a imposição das mãos “não para o sacerdócio, mas para o serviço” (cf. CIC 1569).
Entre suas funções, conforme a disciplina da Igreja, o diácono pode:
proclamar o Evangelho;
pregar;
administrar solenemente o Batismo;
assistir e abençoar Matrimônios quando devidamente autorizado;
distribuir a Eucaristia;
presidir determinadas celebrações;
acompanhar pastoralmente a comunidade;
dedicar-se especialmente ao serviço da caridade.
Porém, como vimos, o diácono não celebra a Missa nem ouve Confissões.
Um diácono pode ser casado?
Sim, existem diáconos permanentes casados na Igreja Latina.
Um homem casado pode, observadas as condições estabelecidas pela Igreja, ser ordenado diácono permanente.
Isso não significa que um diácono solteiro possa simplesmente casar-se depois da ordenação.
A disciplina possui regras específicas.
Também existem os chamados diáconos transitórios.
São homens que recebem o diaconato como etapa anterior à ordenação presbiteral.
Portanto, nem todo diácono necessariamente se tornará padre.
O diaconato permanente é uma verdadeira vocação e ministério dentro da Igreja.
Qual é o significado da imposição das mãos?
O gesto essencial da ordenação é a imposição das mãos pelo bispo sobre a cabeça do ordenando, acompanhada pela oração consecratória própria de cada grau.
A imposição das mãos aparece diversas vezes nas Escrituras e está profundamente ligada à transmissão de uma missão.
São Paulo escreve:
“Por isso, eu te exorto a reavivar o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos.”
2 Timóteo 1,6
Esse gesto estabelece uma ligação muito bonita entre a Igreja atual e a tradição recebida dos Apóstolos.
O homem ordenado não atribui o ministério a si mesmo.
Ele o recebe através da Igreja.
Por que somente o bispo pode ordenar?
Porque o ministério episcopal possui uma ligação particular com a sucessão apostólica.
O Catecismo ensina que cabe aos bispos validamente ordenados, enquanto sucessores dos Apóstolos, conferir os três graus do Sacramento da Ordem (cf. CIC 1576).
Por isso, um padre não pode ordenar outro padre.
Nem pode ordenar um diácono ou bispo.
A ordenação é realizada por um bispo.
No caso da ordenação episcopal, existem ainda normas próprias da Igreja, incluindo a necessidade do mandato pontifício.
O Sacramento da Ordem pode ser recebido novamente?
A ordenação sacramental imprime um caráter espiritual indelével.
Isso significa que não pode simplesmente ser apagada ou repetida.
O Catecismo ensina que alguém validamente ordenado pode, por motivos graves, ser dispensado das obrigações e funções ligadas ao estado clerical ou ser impedido de exercê-las.
Entretanto:
ele não volta a ser leigo no sentido sacramental.
O caráter recebido na ordenação permanece (cf. CIC 1583).
Por isso, assim como o Batismo e a Confirmação, a Ordem está entre os Sacramentos que imprimem caráter.
Por que os padres não se casam?
Na Igreja Latina, os homens chamados ao presbiterado são normalmente escolhidos entre aqueles que assumem livremente o celibato.
O celibato é compreendido como sinal de dedicação a Cristo e ao serviço do Reino de Deus.
O próprio Jesus fala daqueles que renunciam ao casamento por causa do Reino dos Céus (cf. Mateus 19,12).
É importante, porém, fazer uma distinção.
O celibato sacerdotal é uma disciplina da Igreja Latina, e não uma afirmação de que o casamento seja inferior ou impuro.
Existem sacerdotes casados em determinadas Igrejas Católicas Orientais, segundo suas tradições e disciplinas próprias.
E, como vimos, também existem diáconos permanentes casados.
Por que a Igreja não ordena mulheres sacerdotes?
A Igreja Católica ensina que não possui autoridade para conferir a ordenação sacerdotal às mulheres.
Esse ensinamento está relacionado àquilo que a Igreja entende ter recebido do próprio Cristo e da tradição apostólica, especialmente pelo fato de Jesus ter escolhido homens para formar o colégio dos Doze Apóstolos e de os Apóstolos terem procedido da mesma maneira ao escolher colaboradores para o ministério sacerdotal.
São João Paulo II reafirmou que esse ensinamento deve ser definitivamente mantido pelos fiéis.
Isso não significa afirmar que homens possuam maior dignidade do que mulheres.
Homens e mulheres possuem igual dignidade batismal, embora existam vocações e serviços diferentes na Igreja.
A própria santidade cristã não depende de receber o Sacramento da Ordem.
Como alguém descobre uma vocação ao sacerdócio?
A vocação normalmente não começa com uma certeza absoluta ou algum acontecimento extraordinário.
Muitas vezes começa com uma pergunta:
“Será que Deus está me chamando?”
Um homem que percebe esse chamado pode começar aprofundando sua vida de oração, participando da Missa, frequentando os Sacramentos e procurando direção espiritual ou acompanhamento vocacional.
Depois, pode entrar em contato com a pastoral vocacional de sua diocese ou com uma comunidade religiosa.
O processo de discernimento e formação normalmente dura vários anos.
O seminário inclui formação humana, espiritual, intelectual e pastoral.
Ninguém deveria buscar o sacerdócio apenas por prestígio, posição social ou interesse pessoal.
A vocação ministerial é essencialmente um chamado para servir.
O padre é mais santo que os outros católicos?
Não necessariamente.
A ordenação concede uma graça e missão sacramentais próprias, mas não transforma automaticamente uma pessoa em santo.
Todos os cristãos são chamados à santidade.
Um sacerdote precisa rezar, lutar contra o pecado, buscar conversão e receber os Sacramentos assim como os demais fiéis.
Aliás, justamente por causa da responsabilidade de seu ministério, precisa procurar viver com grande fidelidade.
Por isso também devemos rezar pelos sacerdotes, diáconos e bispos.
Eles continuam sendo seres humanos que necessitam da graça de Deus.
Qual é a missão comum dos ministros ordenados?
Embora bispos, padres e diáconos possuam funções diferentes, todos recebem o ministério para servir ao povo de Deus.
Jesus apresentou o próprio serviço como modelo:
“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.”
Marcos 10,45
Essa frase ajuda a compreender o verdadeiro sentido do Sacramento da Ordem.
A autoridade cristã não deveria ser entendida como privilégio ou poder pessoal.
Quanto maior a responsabilidade recebida, maior deveria ser a disposição para servir.
O ministério ordenado existe para ajudar a Igreja a permanecer fiel a Cristo através da Palavra, dos Sacramentos e da caridade.
Perguntas frequentes sobre o Sacramento da Ordem
Quais são os três graus do Sacramento da Ordem?
Episcopado, presbiterado e diaconato — correspondendo respectivamente a bispos, padres e diáconos.
Todo bispo é padre?
Um bispo recebeu anteriormente o presbiterado e, na ordenação episcopal, recebe a plenitude do Sacramento da Ordem.
Um diácono pode celebrar Missa?
Não. O diácono pode participar e exercer funções próprias na celebração, mas não pode presidir a Eucaristia nem realizar a Consagração.
Um diácono pode ser casado?
Um homem casado pode ser admitido ao diaconato permanente segundo as condições estabelecidas pela Igreja.
Um padre pode ordenar outro padre?
Não. Cabe ao bispo validamente ordenado conferir o Sacramento da Ordem.
Um padre que deixa o ministério deixa de ser padre?
Ele pode perder ou ser dispensado do exercício e das obrigações do estado clerical, mas o caráter sacramental recebido validamente na ordenação permanece.
O Sacramento da Ordem é uma vocação ao serviço
Compreender o Sacramento da Ordem ajuda-nos a enxergar bispos, padres e diáconos não apenas como pessoas que exercem diferentes funções dentro da Igreja.
Existe por trás desses ministérios uma realidade sacramental.
O bispo recebe a plenitude da Ordem e continua a missão apostólica.
O padre coopera com o bispo especialmente no anúncio da Palavra, na celebração da Eucaristia e no cuidado pastoral.
O diácono recebe uma missão particularmente marcada pelo serviço.
Diferentes ministérios, mas uma mesma finalidade:
servir a Cristo e ao seu povo.
Por isso, além de conhecer melhor o Sacramento da Ordem, existe algo simples que todos podemos fazer:
rezar pelas vocações.
Rezar para que aqueles chamados por Deus tenham coragem de responder e para que bispos, sacerdotes e diáconos sejam fiéis à missão que receberam.

